Evolução – série Silent Hill

Publicado: 28 de maio de 2011 em Games, Review
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Silent Hill 1Silent Hill (PSX): O primeiro game começou a série de uma maneira estupenda, já com todas as grandes qualidades em si, algo raro. Geralmente as características das grandes séries gamísticas vão aparecendo homeopaticamente, de título em título. Raros são os casos em que uma série já começa com toda sua personalidade formada. Até mesmo Mario teve suas características originais surgindo aos poucos. Mas vamos ao jogo.
O melhor de todos os SH, apesar da história ser um pouco fraca. Mas a maneira como ela é contada, principalmente cheia de referências e citações, faz com que tudo seja mais interessante. Foi o primeiro jogo de terror psicológico, e criou uma onda (Fatal Frame, Siren). Foi um dos poucos jogos do Play1 com gráficos totalmente 3D. O maior representante do survival horror à época, Resident Evil, por exemplo, usava cenários estáticos e personagens 3D. E foi provavelmente o game que tem mais 3D do play, com uma cidade enorme a ser explorada. Isso porque em jogos como Tomb Raider e Crash, o cenário iria flagrantemente se construindo com o jogador vendo se fosse feito um cenário muito grande. Isso foi burlado em SH com névoa e escuridão, que fitam muito bem num jogo de horror. E SH usa de ângulos de câmera cinematográficos, isso fica fantástico. Mas também tem momentos em que a câmera se move (e um botão pra centralizá-la). Além disso, graficamente foi dado um retoque com um filtro que deixa a imagem levemente granulada, já que SH tem um clima meio de época, isso dá um toque ainda mais especial ao game. E a iluminação da lanterna é um charme a mais. Além das CGs, que são incríveis.
Sonoramente também é incrível, com as raras aparições das melodias perfeitas de Akira Yamaoka e os sons perturbadores que aparecem por todo lugar. A dublagem também é muito boa.
A jogabilidade também é boa, bem no estilo Resident Evil. Mas nesse game a realidade se faz mais presente nos pequenos detalhes. O personagem ofega quando pára depois de correr muito. E bate em paredes (colocando a mão pra frente pra aparar). E você não usa só armas de tiro, mas também canos de ferro e machados pra bater nos inimigos. E ainda pode pisá-los quando estão no chão. Para completar, os puzzles são muito interessantes, também perturbadores, inteligentes, porém naturais. Nunca parecem algo forçado no cenário, sempre soam bastante realistas. O mapa é muito útil (e necessário) e Harry marca coisas nele, o que ajuda muito. Quanto à câmera, nunca atrapalha, porque o botão de centralizar a câmera funciona muito bem. Pra finalizar, o fator terror é muito presente, SH realmente bota medo. Em mim pelo menos. SH1 e Alone in the Dark 4 foram as duas únicas experiências de sentir terror com obras de ficção que eu tive. Os SH posteriores tem menos terror, mas o clima ainda é muito bom.

Silent Hill 2Silent Hill 2 (Playstation 2): Pouca evolução em quase todos os aspectos. Mas, também, foi um dos primeiros games do Play2. Pensando por esse aspecto, foi um dos games mais impressionantes de sua época. E o principal ponto de SH2 é sua história magnífica e realmente profunda, que não é apenas bem contada, como é realmente interessante e original. Os outros aspectos permaneceram quase que idênticos ao original. O gameplay é o mesmo. Os gráficos só evoluíram o mínimo esperado entre o PS1 e o PS2. A sonoridade continuou excelente. O jogo continua horripilante, embora nem tanto quando o primeiro título. Os puzzles continuam inteligentíssimos e um pouco mais perturbadores. Os personagens continuam sendo do tipo icônico – estereótipos que parecem ser profundos – que combinam muito bem com toda a proposta. Mas a trama melhorou, e muito. É uma das mais aclamadas tramas gamísticas e, embora não tenha muita relação com a do 1º game, eu concordo com cada um dos reviews aclamando a trama.

Silent Hill 3Silent Hill 3 (PS2): Esse sim foi uma tremenda evolução graficamente, sendo um dos melhores gráficos do Play2, inclusive muito melhor do que os games que saíram depois dele. Em alguns momentos, poderia até se passar por um game de 1ª geração do Play3 (principalmente nas cenas). Dispensou o uso de CGs em prol de cenas com a engine do jogo (gráficos in-game) e um motion capture perfeitíssimo. Além do mais, tem efeitos especiais absolutamente embasbacantes (como as paredes de certos lugares), filtros de imagem ainda mais bacanas e usa todo o potencial do PS2. A dublagem é perfeita e a sonorização de Akira Yamaoka sempre é perfeita. A trama é simples, mas funcional, e, melhor de tudo, continua a história iniciada em Silent Hill 1. Heather é a melhor personagem principal que SH já teve. Cheia de atitude. A jogabilidade permanece inalterada, exceto talvez pela virada rápida. E o jogo fez uma ótima opção por fazer todas as seqüências arrepiantes que antes não podiam ser feitas porque o hardware não era capaz ou porque o hardware não era conhecido. Aqui, a Konami fez tudo o que queria e realmente fez coisas que espantam mesmo. Também foi uma ótima adesão a escolha de dificuldade dos puzzles, gerando, praticamente, três jogos diferentes em 1.

Silent Hill 4 The RoomSilent Hill 4 The Room (PS2): De longe, o mais diferente da série. Falhou em muitos aspectos, mas teve muitas características boas. A jogabilidade foi uma das coisas que mais mudou, ficando mais solta (exageradamente destravada, parece que você está controlando uma pena e não uma pessoa). Com um sistema em que você bater aumenta uma espécie de barra para golpes mais devastadores. Mas é um sistema inútil. O jogo se divide entre seqüências em 1ª pessoa num apartamento e as fases. É como se o apartamento fosse um hub world de um jogo de aventura e os locais fossem fases. Não ficou muito bom em um jogo de terror, isso. Fora que só no seu apartamento que se salva (embora hajam muitos portais nas fases) e que seu apartamento é assombrado mais pra frente, o que é disfuncional e chato. Os puzzles são o que há de melhor no jogo. Estão mais grandiosos do que nunca e continuam sendo geniais. A sonorização é perfeita como sempre. Mas os gráficos são decepcionantes. Quer dizer, são ótimos gráficos, incríveis pra todos os efeitos, mas não podem ser comparados com os do 3. Não se sabe por que, mas os gráficos do SH4 são muito inferiores aos da terceira edição da série. Apesar de que os lugares são maiores, isso não justifica. E esse é o SH que liga (bem levemente) todos os games da série. E até que tem uma trama interessante, mas que não é tão bem contada. O bom é que é mais claro o que está acontecendo do que era nos outros jogos, mas a história é bem simples.

Silent Hill Shattered MemoriesSilent Hill – Shattered Memories (PS2 e outros): Estando nas mãos de pessoas completamente diferentes, não havia como não ser completamente diferente. É um ótimo jogo, mas não é um bom Silent Hill. E, com certeza, é um jogo que se encaixa na categoria único-tem-que-continuar-único. O que significa que qualquer outro jogo que se pareça com esse vai ser considerado uma mera cópia. É o tipo de jogo bem experimental, que é bom de jogar uma vez. O terror ficou diferente, mas continua terror. A trama é muito bacana, com um final surpreendente e muito bacana. O sistema de conversar com o psicólogo e isso mudar coisas no jogo não tem função. Mas todo o resto é excepcional. SHSM tem o melhor motion capture que eu já vi! Tudo que foi feito pra imergir o jogador no clima do game funciona muito bem, como as portas abrirem sem pausas ou telas especiais, ou o fato de se ter que abrir carteiras e fechaduras como se faz na vida real. As perseguições também são fantásticas e muito realistas, enquanto você corre desesperado derrubando coisas pra atrasar os perseguidores e cambaleando. Um jogo muito bom.

Silent Hill: O filme é muito bom. Com certeza o melhor filme baseado em game já feito até hoje. Eu não pensava ser possível fazer mais de uma vez a experiência SH. Fiquei surpreso quando a KCET conseguiu fazer várias vezes. Mas eram o time original. Transpor aquilo para o cinema parecia impossível. Ainda mais por pessoas que não são a Konami Tokio. Mas Christophe Gans e Roger Avary fizeram! E muito bem. Toda a estética está perfeita, a história, sendo a mesma do 1º game, continua obscura. E eles tiveram a brilhante idéia de chamar Yamaoka para sonorizar o filme. Onde o filme peca é em não ter a mesma profundidade dos jogos. Os monstros estão todos ali como monstros e só, não são projeções mentais da psique de alguém, com explicações lógicas pra ser como são, são só monstros mesmo. E a única coisa que tem em comum com os dos games é o fato de eles, assim como você nos jogos, também parecerem estar sofrendo terrivelmente. O que é bacana. O único momento em que o filme lembra um pouco a complexidade simbólica dos games é no final, completamente estranho. E por isso mesmo fantástico, principalmente para os fãs dos jogos.

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