Jogos Vorazes, Você Não Está Preparado Para Os

Publicado: 11 de fevereiro de 2012 em Livros, Review
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Hunger Games

Jogos Vorazes (Hunger Games em inglês) é uma trilogia literária bem-sucedida feita pela (também autora de cinema) Suzanne Collins. Os nomes dos livros são, em ordem: Jogos Vorazes (Hunger Games), Em Chamas (Catching Fire) e Esperança (Mockinjay).

É um livro de futuro distópico, em que os Estados Unidos caíram, tendo ascendido em seu lugar uma nova nação, nomeada Panem. Essa nação é constituída de um governo central, o Capitol, e outros 13 distritos. Acontece que os outros distritos são tratados com tirania pelo capitol, e sendo assim o distrito 13, o mais pobre de todos, se revolta. Isso acaba por causar sua destruição e, para marcar esse dia na mente de todos os cidadãos de Panem, o Capitol passa a fazer, anualmente os chamados Jogos Vorazes.

Nesses jogos, duas crianças de no mínimo 12 anos são escolhidas de cada distrito. Um menino e uma menina de cada, num total de 24 tributos, como são chamados os escolhidos. Os nomes são sorteados. E então as crianças vão para uma arena e lutam, sendo que só uma sobreviverá ao final de tudo.

E quando a irmã mais nova de Katniss Everdeen do distrito 12, Primrose, é escolhida, Katniss se voluntaria para ir em seu lugar. Assim começa essa trama muito bem construída.

Katniss é uma personagem forte, inteligente, uma verdadeira lutadora. E como narradora, ela realmente nos liga à trama. São muito interessantes as ligações entre o mundo fictício dos livros e o nosso, e a maneira como as aparências realmente se fazem importantes em cada página, tanto que tudo tem que ser pensado de maneiras práticas e também em como vão parecer, já que os hunger games tem esse aspecto de reality show também. Acaba sendo um pouco de crítica à superficialidade na sociedade.

Sociedade, aliás, é um dos temas principais de toda a obra, com muita política envolvida. E não pense que por que os personagens são tão jovens, são poupados de atrocidades e tragédias, por que elas acontecem a todo momento. Não existe esse limite aqui e isso se prova benéfico ao drama e à narrativa, enquanto que tudo pode acontecer e às  vezes realmente acontece. Às vezes pior do que até mesmo nós podemos imaginar. É uma história bem cruel, ainda mais cruel por acontecer com crianças, muitas deles inocentes vítimas.

Os personagens são, geralmente, bem-construídos, com muitas nuances de personalidade. E também são muito bem estudados e aprofundados. Por mais que os vilões sejam essencialmente maus e maniqueístas, não chega a detrair da experiência.

Experiência essa que cresce a cada novo livro, chegando num terceiro livro tão intenso que às vezes nos perguntamos quão mais longe tudo pode ir. E o livro também tem algumas coisa futurísticas, já que é um livro de futuro hipotético, não poderia deixar de ter tecnologias novas. Mas a autora peca ao descrever esses momentos e fica muito confuso de entender o que diabos está acontecendo em determinados momentos.

Tem tons altamente filosóficos em determinados momentos, bons romances (embora não sejam o foco da narrativa), boas reviravoltas, às vezes te deixa se perguntando o que está acontecendo exatamente (dessa vez no bom sentido) e termina muito bem.

P.S.: Tanto que está virando filme. Para meu desgosto eterno, estão mockinjaymarqueteando JV como o novo Crepúsculo. Isso é o mais completo absurdo, já que Crepúsculo não chega aos pés dessa série em qualidade. E essa trilogia merece muito mais que a maioria todo o sucesso que vem fazendo.

Ah, baixe os livros:

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Filmes:

Jogos Vorazes: O filme é MUUITO aquém do livro. Há uma clara restrição de tempo, que faz com que eventos sejam modificados pra ser mais rápidos (recuperação de machucados) e não haja um aprofundamento. Claro, também tem o fato de que o livro é em primeira pessoa, portanto entendemos muito melhor Katniss e suas ações. Mas no filme foram muito sutis. Há muita pouca demonstração do aspecto midiático dos jogos e muito pouca explicação da relação entre Katniss e Peeta, que gera um final com um significado bastante diferente do livro. Aliás, final este que muitas pessoas acharam feliz demais, mas a autora não pretendia fazer mais livros (pelas entrevistas que eu li). Só que ela percebeu que o ato deles no fim dos jogos teria conseqüências, então ela continuou a saga. Portanto, o que parece um final forçado não é, por que tem graves conseqüências (na verdade justifica as continuações). O aspecto de romance é pequenino e, embora o filme não tenha deixado claro, é tudo uma farsa por parte de Katniss nesse primeiro. E é complexo, por que no livro não é farsa por parte do Peeta. Omitiram tudo isso no filme. Além disso, correram com a parte dos jogos no filme a ponto de estes parecerem fáceis para a Kat, já que ela venceu tudo na sorte e ajuda alheia, mas nos livros a gente pode ver toda a angústia, que no filme é sempre super-rápida. Também há um problema na direção que, no princípio, era trêmula demais. E o efeito do fogo na roupa ficou muito menos impressionante do que deveria, assim como o papel dos patrocinadores. Eu entendo que o filme tenha tido pouco tempo demais para, além de apresentar o essencial, ainda aumentar as partes do Haymitch fora da arena. Eu acredito, sim, que poderia ter sido melhor executado, mas não foi perda total. E, claro, também poderia ter sido executado ainda pior. Eu pessoalmente amei todo o pânico do filme até o começo dos jogos e os primeiros momentos na cornucópia, mas acho que o filme se perdeu em correria depois disso. E dificilmente seria diferente. As atuações são bastante sólidas, realmente dignas. Assim como toda a parte mais criativa, que nos mostra a capital, seus cidadãos… essa parte é muito bem feita.

Em Chamas: Em Chamas é um filme muito maior e melhor do que o seu antecessor. Mas não devemos julgar tanto o primeiro com base nisso, vide que esse livro se compõe muito do que foi apresentado no primeiro, crescendo sobre ele. A base já estava lançada, então o trabalho do novo cineasta e dos escritores desse segundo foi inegavelmente mais fácil comparado ao primeiro. Isso não tira os méritos desse segundo filme, que apresenta-se mais firme, com mais conflitos, maior grandiosidade e isso tudo sem deixar de ser fiel ao material original. As cenas de ação também estão melhores, até por que, na trilogia literária, a ação vai ficando mais inventiva e grandiosa livro a livro. Nisso o filme ganha, já que as descrições das partes de ação e ficção científica da Suzanne Collins deixam um pouco a desejar. As atuações são primorosas, também a maioria do elenco é de alta qualidade. Jennifer Lawrence domina o filme, emociona e realmente traz Katniss à vida. O filme tem foco, e o romance funciona, apesar de que eu não chamaria de romance ou relação, mas relacionamento, já que costuma ir além de apenas romanticismo. Inclusive o ‘link’ dela com Gale funciona melhor no filme do que no livro. Confesso que, antes da estréia, eu temia que o filme fosse ficar muito parecido ao primeiro, já que há certas semelhanças. O que felizmente não ocorre. O ritmo é muito bom e o clímax é, realmente, um bom gancho. Um gancho que é um pouco prejudicado pelo excesso de questões que ficam. Eu, que li o livro, entendi tudo que aconteceu, mas meus colegas que estavam comigo (e eu compreendo eles) precisaram de mais algumas explicações. Então eu acho que o final do filme pediu um pouco mais de exposição. Que virá, obviamente, no terceiro (e quarto) filme (s). Mas o filme foi muito bom e colocou a série no rol dos clássicos, marcou definitivamente o nome Jogos Vorazes na história do cinema.

A Esperança – Parte 1: Sim, dividiram o último livro em dois filmes. E, vendo o filme, nem acho que tenha sido necessário. Mas não comprometeu, também. Pelo menos não comprometeu a Parte 1, vamos ver depois que sair a Parte 2. A trama cresceu ainda mais nesse terceiro filme, e se tornou realmente, realmente, épica. A direção toda acertou, continua tendo grandes momentos, embora seja um pouco mais cansativo do que os filmes anteriores. Preciso ressaltar que tudo muda muito mais do segundo para o terceiro filme/livro do que do primeiro para o segundo. Está tudo muito diferente, mas foi tudo muito bem apresentado, sem didatismos desnecessários. Achei que a Jennifer Lawrence não estava tão bem nesse quanto estava no segundo, mas sabendo que ela tem o potencial, acho justo culpar a direção dada a ela por essa levíssima decaída. Os efeitos especiais vem melhorando, certamente por que o orçamento vem aumentando, e são também muito bem utilizados. É incrível notar a quantidade de atores de alto calibre nessa que é uma saga supostamente infanto-juvenil. Esse terceiro review não está muito bem concatenado. Enfim, o filme realmente vale a pena.

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