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Introdução

Shinji Mikami é o criador da série Resident Evil, o criador do primeiro jogo da série, e parte importante da mesma até o quarto jogo da série, quando ele saiu da Capcom, a empresa dona da franquia. Ele tem envolvimento em jogos de terror e também em jogos de extrema ação como Vanquish, por exemplo. The Evil Within é um jogo de terror lançado por ele que, desde seu anúncio, prometia resgatar o gênero survival horror, perdido nos games desde que Resident Evil se tornou um jogo de ação em RE4.

A minha experiência com o jogo começou com os trailers dele antes do lançamento. Minha expectativa era bem alta no começo, mas diminuiu bastante com os últimos trailers, por que lembrava muito Resident Evil 4, que pra mim não era uma coisa boa. Esse review conta qual é a minha percepção do jogo após ter jogado.

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História

A história do jogo é fraca. Mas mais do que fraca, o storytelling, a maneira de contar a história, também é ruim. É tudo muito espalhado pelos documentos e cenas, dificultando ligar os pontos e tornar tudo congruente. Jogo de terror, pra mim, assim como filme de terror, não precisa de história. Então isso não me incomodou nem um pouco. Além disso, eu fiquei curioso pra saber onde a trama iria, quais seriam os desdobramentos do que estava acontecendo, as respostas de algumas perguntas. O jogo conseguiu me engajar. Mas não por causa dos personagens. O Castellano não tem personalidade quase nenhuma e ele não tem um ponto de ligação conosco além do fato de o controlarmos. Quero dizer, ele simplesmente aceita o que está acontecendo com ele, sem questionar muito, desde o começo do jogo, ele parece não reagir ao mundo à volta dele. Um grande exemplo disso é a enfermeira Tatiana, que fica calma no meio disso tudo como se nada estivesse acontecendo e ele não questiona ela sobre isso, ela é para ele uma peça de decoração. Os personagens secundários, por sua vez, servem mais como plot devices em determinados momentos, sumindo quando são desnecessários, com muito pouco aprofundamento. Mas são raras as exceções de boa história em jogo de terror. Silent Hill tem uma trama simples e rasa, mas um storytelling excelente. Silent Hill 2 tem uma história efetivamente excelente. Todos os Resident Evil tem pouca história, recheada de clichés. Alone in the Dark 4, um dos meus favoritos e bem underrated, tem uma história interessante mas que é contada nos documentos, é história pregressa ou backstory, não é a trama que se desenrola no jogo. The Evil Within parece ter essa abordagem para a maior parte da sua história, mas os documentos não são tão aprofundados e interessantes quanto no AitD4.

Sobre o jogo em si, ele pra mim é o que Resident Evil 4 deveria ter sido. O que, de maneira nenhuma, significa que é um jogo atrasado no tempo. Ele existe como uma evolução do Resident Evil 4 e em contraposição a Resident Evil 5 e 6, portanto talvez não poderia existir sem esses jogos. Ou seja, não poderia existir em um momento anterior. Evil Within é, também, uma evolução mais natural do conceito do primeiro Resident Evil. Lá tinha armadilhas, embora fossem relegadas às cenas do jogo, e aqui fazem parte da jogabilidade. Lá tinham monstros e gerenciamento de inventário e munição , aqui também. Até as salas de save, aqui salas com espelho quebrado teletransportador, estão presentes, com música característica e tudo. Quando você ouve a musiquinha que significa que você está perto de uma dessas salas, você sente um alívio, assim como nos RE originais. (Aliás, essa ideia de ter um abrigo seguro para o qual você se teleporta é a mesma ideia do Silent Hill 4 The Room, só que infinitamente melhor executada aqui.) Outra coisa que parece ser uma evolução de conceitos apresentados pelo Mikami anteriormente é que o jogo tem aspectos sobrenaturais (que na verdade são alucinações), assim como na beta descartada hanged man de Resident Evil 4.

E já que falei que você sente um alívio ao se aproximar de uma dessas salas seguras, fica óbvio que o jogo gera tensão com sucesso. Talvez por ter como referência tantas obras de terror, que vão desde filmes japoneses como O Grito e O Chamado, passando por filmes de terror de assassinos aos jogos de terror psicológico como Silent Hill. Tem até um inimigo que é a evolução do famoso piramid head de Silent Hill 2! Em vários momentos eu me peguei abrindo as portas com calma ao invés de chutá-las, e andando com mais calma do que precisava, por puro medo. O jogo consegue te fazer se importar não através dos personagens, mas da jogabilidade, a qual ainda vou analisar. As mortes do personagem, que nem são tão violentas assim, eu às vezes me pegava desviando o olhar pra não ver. Eu tive realmente medo de morrer no jogo, e eu geralmente sou bem insensível a essas coisas, a morte se tornou uma punição (e não só por causa da tela de loading), me fazendo querendo jogar com mais cautela pra evitá-la. Claro, terror é algo completamente subjetivo. Eu mesmo, só senti medo em dois jogos, Silent Hill 1 e Alone in the Dark 4, que é uma seleção muito aleatória. Tensão deve ser algo tão subjetivo quanto. Eu não senti medo efetivo em Evil Within, mas me considero praticamente imune a isso e não sirvo de base para julgar se um jogo é assustador ou não. Também, nunca considerei Resident Evil, o jogo que é praticamente o predecessor desse, uma série de terror. Era mais de tensão, assim como esse The Evil Within. O uso da morte no jogo é excelente, te fazendo ter que tomar cuidado, por que existem coisas que causam morte instantânea no jogo. Mais do que isso, eu joguei no modo casual, que corresponde ao modo fácil do jogo, então provavelmente o jogo não me deixaria ficar sem munição. Mas mesmo assim eu senti o tempo todo que estava prestes a ficar sem munição e temi por esse momento. É assim que design inteligente funciona.

Para finalizar esse ponto, com tantas coisas o jogo poderia ter se tornado uma caricatura de terror (é assim que eu vejo o remake do 1º Resident Evil), mas isso nunca acontece.

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Jogabilidade

Uma das melhores jogabilidades que eu já vi. Simples assim. É complexa e profunda mas prática e fácil de usar, não é complicada. E as mecânicas são usadas no jogo de maneiras diferentes e interessantes, não tem nada subutilizado aqui. Inclusive, há que se mencionar que, a todo momento, o jogo te joga algo novo e diferente, você é constantemente surpreendido com novidades, nenhum confronto com inimigos é igual, por que o cenário oferece táticas e estratégias diferentes, por que um inimigo novo que se comporta de maneira diferente é apresentado, por que você mesmo evoluiu. A evolução das habilidades do personagem também é muito interessante, eu senti como se eu estivesse realmente customizando ele para meu estilo de jogar, algo que muitos jogos que tem customização falham. Você não tem pontos suficientes pra evoluir tudo, então tem que fazer escolhas, e você sente de verdade o impacto dessas escolhas quando joga. O level design, apesar de que poderia ser mais complexo e é a única coisa que é um passo atrás em relação aos Resident Evil originais, ainda assim é muito bom. É mais sobre vários ambientes fechados complexos do que sobre um grande ambiente explorável.

Inclusive esse é um dos problemas do jogo. Falta foco e coesão. Você pula de um capítulo para o outro, apresentando conteúdos completamente diferentes, sem nenhuma conexão. O jogo mistura tudo quanto é elemento de horror imaginável e isso tira um pouco da grandeza dele. Não que não seja original, achei o jogo extremamente original, recheado de ideias interessantes e criatividade. É muito conteúdo e quase nenhum excesso. O jogo consegue evitar tendências da indústria que tem sido forçadas em jogos mesmo quando não adicionam nada, como missões secundárias, mundo aberto e a ideia de que nada pode ser linear. É refrescante. Mais do que isso, é um jogo com jogabilidade de verdade, com muito poucas set scenes. Eu tenho que dizer, porém, que as cenas controláveis existentes não adicionam nada ao jogo e eu entendi o propósito de muito poucas delas. Claro que isso pode ser falha minha, incapacidade de compreensão, e talvez todo mundo mais tenha compreendido com facilidade. Do mesmo jeito que todo mundo mais, talvez, tenha entendido com facilidade a história. Mas só posso falar pela minha experiência.

Quanto à dificuldade, achei o jogo difícil. E isso no modo fácil. Talvez o jogo tenha que ser difícil pra gerar tensão, por que ele é difícil. Mas eu também achei ele balanceado. O jogo te dá opções pra sair das situações, mas te faz ter que usar as mecânicas dele e as mecânicas específicas dos cenários pra se sair bem dessas situações. Ele não é excessivamente fácil nem excessivamente difícil.

Agora falando em jogabilidade, preciso falar de algo mais que é incômodo. A câmera é muito próxima do personagem, o que incomoda, mas não é muito ruim. O que eu senti falta de verdade é uma opção de centralizar a câmera. Por que você pode correr pra longe de um inimigo sem problemas (e precisa), mas na hora de virar pra ele pra poder atirar perde muito tempo virando a câmera. Isso não seria um problema, se não houvessem alguns momentos mais cheios de ação mais pra frente no jogo, onde isso se torna um problema. Claro que se houvesse tal botão, o jogo todo teria que ser rebalanceado, por que ele é tão equilibrado como está. E não acredito que seja um problema com a câmera em si, e que mudar a câmera para outro modo, como sobre o ombro ou fixa atrás acima do personagem seja uma solução. Por que a câmera atual permite a você olhar em volta do cenário, e eu muitas vezes olhei em volta do cenário nervosamente me assegurando de que estava seguro, e a câmera atual facilita muito isso, o que encoraja que eu faça isso, e me torna paranoico. A câmera atual também ajuda no gameplay, já que você pode usar ela para analisar o cenário à sua volta, o que ajuda tanto na estratégia quanto na exploração e permite que cenários mais complexos sejam feitos, exigindo mais das habilidades do jogador.

tew_keyart_boxman_styleframe_01_980Aspectos técnicos

Achei os gráficos do jogo lindíssimos, realmente impressionantes em momentos. Talvez por que eu joguei ele no X-Box 360. Eu acho que os gráficos são mais bonitos pela direção de arte do que por aspectos técnicos, entretanto. O jogo é muito bonito, é um jogo de terror que se permite ser bonito, em que os cenários são esteticamente lindos. Não precisa ser tudo escuro e feio pra ser terror, como muitos outros antes de Evil Within também mostraram, mas muitos outros esqueceram. E apesar de ele ter sido lançado nas novas plataformas (X-Box One, PS4) com gráficos melhores, me parece ser mais um jogo de PS3/X360 do que XOne/PS4. Apesar de que, pelo que vi no youtube e em screenshots, o jogo está lindo nesses novos consoles também. A parte sonora também é muito bem executada, complementando tudo que o jogo propõe.

Conclusão

Um jogo muito bacana que, a meu ver, é essencial para quem é fã de survival horror ou de jogos de terror. Uma versão desse jogo sem os aspectos ‘sobrenaturais’ é o que Resident Evil deveria estar sendo. E eu também indicaria ele a qualquer gamer que queira um jogo de verdade, que não tira seu controle sem justificativa e nem te dá só uma ilusão de controle. Um design incrível que prova por que Shinji Mikami é tão adorado. Eu antes achava o Mikami superestimado, mas não mais. Só acho que o jogo deveria ter uma seqüência, pra poder consertar as pequenas falhas e se tornar realmente grande. Quantos jogos tem um primeiro jogo bom que não faz muito burburinho na indústria, apenas para serem elevados a um patamar de obra-prima com o segundo jogo? É o caminho que Evil Within deveria fazer, mas ainda não está fazendo, sabe-se lá por quê. O terror não é meu estilo de terror, simplesmente por ser tão exagerado. Eu não acho que é exagerado demais, só é um estilo diferente do que eu costumo gostar, pois pra terror prefiro algo mais minimalista. Mas ainda assim curti muito, por que é tão bem feito e não é de todo fora do meu gosto pessoal. A trama e os pontos em que ela toca é algo que praticamente só os japoneses (como o Mikami) conseguem fazer e fazer bem. O jogo tem uma alma dos clássicos jogos de terror japoneses. A própria mitologia é muito interessante e única e merece ser trabalhada em sequencias. É um jogo que simplesmente recomendo.

P.S.: Eu não joguei as expansões por DLC. E parece que The Assignment e The Consequence, duas das três expansões, adicionam detalhes importantes à trama. Eu não tenho como ter acesso a essas expansões, então não posso julgar a trama completa. Mas acho ridículo ter que comprar conteúdo adicional pra entender alguma coisa. Eu também acredito que mesmo as DLCs não serão suficientes pra entender tudo.

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Black-Sails

Venho aqui hoje falar de uma série que tem me entretido muito e que me deixou extremamente surpreso com o fato de que não ouvi falar tanto sobre ela. E eu não entendo o por quê. Se ela tivesse tido o buzz que merecia, eu já tinha visto ela há muito mais tempo. Ela se parece bastante com Game of Thrones, apesar dos temas díspares e, em termos de qualidade, fica só um pouquinho atrás de GoT (mas ainda assim atrás). Aliás, falando em tema, não tenho nenhum interesse particular pelo tema piratas, não é do meu interesse. E, ainda assim, Black Sails me conquistou pela sua qualidade. Boa qualidade em uma história consegue deixar qualquer tema (muito) interessante. Talvez eu até me interesse mais pelo tema agora depois de ter visto BS.

A série é um prequel do livro A Ilha do Tesouro, clássico do escritor Robert Louis Stevenson. Na série, o capitão Flint e sua tripulação tentam saquear um galeão espanhol. Pelo menos, esse é o mote principal. É uma série sobre piratas, que mistura personagens fictícios e alguns personagens históricos, se passando na ilha de Nassau.

A produção da série é excelente, tanto em termos de valor de produção quanto de qualidade da mesma. A trama é altamente focada nos personagens, que se tornam mais e mais complexos e imprevisíveis no decorrer dos episódios, são certamente multifacetados. E os atores os interpretam muito bem, agregando emoção em todas as cenas. E um fator que eu adorei é que não há preparação, o primeiro episódio já mostra por que a série é tão boa. Ela já começa boa, e só vai melhorando.

Por falar na história que move esses personagens, é tudo tão interessante! Tem muita emoção, escolhas difíceis, traições, intriga e, muitas vezes, algo semelhante à intriga de corte presente em GoT. E eu sei que estou comparando com GoT mas é muito diferente. E o ritmo é muito mais ágil, acontece muita coisa em apenas um episódio, e sempre há vários detalhes interessantes.

Há cenas grandiosas de ação, luta e emoção, algumas dignas de cinema. O Starz está de parabéns por conseguir se equiparar visualmente à HBO. A trilha sonora também aumenta a tensão presente em vários momentos.

O único problema que tenho com a série é que às vezes a história se utiliza de algumas conveniências pra se forçar pra frente e colocar os personagens nas melhores posições em termo de conflito, e às vezes também é forçado o modo como as situações se resolvem pra poder mover em frente. Quer dizer, sempre há uma explicação, e sempre é uma boa explicação, o problema é que por mais racional que seja, há um lapso emocional que nos impede de ter a catarse que certos momentos deveriam proporcionar.

Não que não haja catarse, por que os personagens são do tipo ‘maior que a vida’, totalmente grandiosos e capazes de carregar a trama, tendo seus lados terríveis e cruéis e os lados bons também.

Por fim, não posso deixar de citar o quanto me deixa feliz a variedade de personagens presentes dos mais diferentes backgrounds. Eu gosto de, na ficção, ter personagens diferentes de mim, com pontos de vista diferentes e ângulos de visão diferentes. Esse é um dos motivos que me faz gostar tanto de GoT, lá tem anões, gays, deficientes, crianças, gordos, negros. As séries de TV se tornam muito mais interessantes com diferentes pontos de visão. Sense8 me atraiu muito por isso. Assim como How to Get Away with Murder com sua protagonista negra bissexual. Glee teria feito o mesmo por mim, se tivesse uma boa história, só a representatividade não basta. O mundo real é cheio de diferenças, e é muito válido ter essas diferenças também na ficção. Também adoro as mulheres fortes presentes em Black Sails.

É uma série que super indico. Afinal, é a série quintessencial sobre piratas.

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*spoilers*

Avenida Brasil foi uma novela que em partes era absolutamente incrível, podendo ser considerada a melhor novela de todos os tempos. E em outras partes era horrível, podendo ser considerada nível-Fina-Estampa (muito baixo btw). A trama de vingança de JEC apresentou um texto muito bem escrito e até ousado às vezes, que priorizava personagens e drama. A trama principal é o que se pode chamar de sem falhas. E eu fico impressionado com o fato de que o João Emanuel Carneiro não poupou os atores, ele colocava ali arriscando mesmo, cenas dificílimas de serem feitas. Eu fico imaginando o misto de desespero com excitação que os atores sentiam ao ler o que tinham que interpretar (principalmente a Adriana Esteves). Digo, devia dar um friozinho na barriga, mas todos se saíram incrivelmente bem e acabaram adicionando ainda mais profundidade pra esses personagens já tão profundos por natureza (por escrita).

A novela começou com um primeiro capítulo avassalador de bom. Depois deu uma caída, claro, pra introduzir todos os conflitos com calma (mas ritmo). E então já começou um momento muito bom quando a Carminha se atuo-seqüestrou (e acabou sendo seqüestrada de verdade!). Ali a novela já começou a mostrar a que veio. Mas o nível subiu mesmo quando as coisas começaram a ser reveladas, quando a Carminha descobriu que a Nina era a Rita. Aí pegou fogo e não parou mais. nos últimos capítulos, a coisa foi estupenda. Uma novela cheia de cenas memoráveis e que, a despeito de todas as pontas soltas supostamente apontadas por internautas por aí (pen drive), eu não vi nenhuma. Achei bastante coesa.

A trilha sonora foi outro dos pontos fortes. Não que as musicas sejam boas por si só, mas elas fitam completamente com as cenas bregas. Não no sentido pejorativo, as cenas não são bregas, são sobre breguice. Mas de uma maneira superficial, sendo somente um detalhe para dar realismo (e atrair a nova classe C).

Agora vamos falar um pouco das falhas. Primeiramente os núcleos coadjuvantes. Eles começaram muito bons, com um bom tempo de cena (isso acabou sendo ruim), e sendo melhores do que os de A Favorita. Mas o autor pareceu ter preguiça de escrever pra eles, e eles só rodaram em círculos do começo ao fim da novela. Acabaram sendo bem piores do que os bem-fechados de A Favorita. Claro, tem que se levar em consideração que, se ele tivesse focado neles também, talvez ele não tivesse capacidade de fazê-los ser realmente histórias e ainda ter um núcleo principal tão bom. Sugiro que ele na próxima novela não tenha coadjuvantes. Seria melhor. Seria possível? Não sei.

Suellen era uma personagem muito boa, e ousada. Depois se juntou ao Leandro e ao Roni e tudo se tornou um imbróglio insuportável. Que, aliás, não foi uma trama. Foi um retalho de insinuações contraditórias do começo ao fim. Um retalho completamente vago e covarde. Outra trama que andou em círculos, mas foi menos covarde, foi a do Cadinho. O autor realmente contou uma história ali, mas uma história parada, que tentava ser engraçada e raramente conseguia, machista. E, pior, completamente previsível. E que terminou exatamente do mesmo jeito que começou, assim como passou a novela inteira se repetindo. Chato.

Outra falha foi a grande queda de ritmo depois da morte do Max, e o “quem matou?”. Felizmente logo a trama se recuperou e terminou com um sequestro que, para minha surpresa, não foi cliché.

A direção foi soberba, com cenas de um suspensa cinematográfico e impecável. Todos os aspectos técnicos foram muito bem trabalhados.

Voltando à trama, a novela não parou do começo ao fim (no núcleo central), cheia de ganchos e grandes momentos com grandes atuações. E que personagens! Personagens capazes de fazer você pensar, estudá-los e entendê-los. E eles ainda te surpreendem!

Teço todos os elogios à condução da trama principal e todos os impropérios para as tramas secundárias.

E o final da trama foi espetacularmente bom, um dos melhores (talvez o melhor) final de novela de todos os tempos.

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(mais…)

Liar Game

Publicado: 2 de agosto de 2012 em Review, Séries
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liargame1 Liar Game é um drama (ou dorama) japonês (jdrama) baseado na série de mangás de Shinobu Kaitani. Conta a história de Nao Kanzaki, que é uma menina bastante inocente que, sem-querer se envolve em um jogo de azar chamado liar game. Nesse jogo, os participantes recebem uma exorbitante quantia em dinheiro e tem por objetivo enganar o adversário e conseguir a parte dele. O perdedor fica com uma dívida de, no máximo, 100 milhões de ienes. Desesperada, ela insiste até conseguir a ajuda de um vigarista profissional, Shin’ichi Akiyama.

A série é muito inteligente, com bastante raciocínio lógico, às vezes dá pra acreditar que o autor é um gênio. O vigarista Shin’ichi Akiyama é muito inteligente e constantemente nós, telespectadores, não sabemos o que está acontecendo, mas ele sim. Muitos dos jogos apresentados na série são bastante originais e mesmo assim bem feitos e interessantes.

A imprevisibilidade é uma das maiores qualidades da série. E Shin’ichi Akiyama. Ele nos prende à série, esperando por um de seus muitos grandes momentos. A Nao é meio fraquinha, mas é responsável por algumas grandes viradas que acontecem. As viradas são muito impressionantes e alguns finais de episódio te deixam muito ansioso pelo próximo.

Liar Game mostra o pior lado do ser humano. E apesar de ser bem focada nos jogos, no liar game, ainda assim tem um pouco de trama de fundo, envolvendo a organização que gerencia o liar game, seus objetivos e os motivos que levam certos personagens a certas ações.

Por falar em personagens, fora os principais, temos muita bizarrice. Com certeza funcionaria melhor sem toda a loucura nos personagens secundários, mas quando você os despe dessa camada extra de cafonice nipônica, o que fica são peões e personagens com objetivos, portanto no fundo eles são bons e cumprem seu objetivo.

Uma vez li em um site que Liar Game tem “neon em lugares estranhos”. Sou obrigado a concordar, depois de verificar isso meticulosamente (rsrs). Mas isso por que LG tenta com muito custo e forçadamente ser ‘cool’. De fato consegue, mas há alguns inegáveis exageros. Principalmente na edição.

Mas, mesmo com esses poréms, devo dizer que indico muito LGame, por que apesar de ter muitas coisas fracas, a parte principal, o roteiro, é acima de acima da média. As atuações também são muito boas (mesmo quando o personagem não é). Uma série para te deixar com palpitações.

P.S.: Se você gostou de Liar Game, veja também o anime Kaiji, mesmo o traço dele sendo feio, é muito MUITO bom.

O Mangá

O drama é baseado em um mangá que há pouco terminei de ler. Não posso comentar muito comparando os dois, pois li o manga muito tempo depois de ter terminado de ver o dorama. Dito isto, o gibi é excelente, super bem escrito e bem desenhado o bastante. E, o melhor, tem coisas a mais, por que o dorama terminou antes do mangá, portanto, existem  jogos a mais que só existem no mangá. E algumas diferenças pontuais que fazem com que não seja só a mesma coisa. Inclusive, pelo que me lembro, o jogo das cadeiras musicais (que acontece em um filme aparte do drama), é bastante diferente nas duas versões. Até por que o drama não tem o personagem Harimoto (o drama, entretanto, tem um personagem inimigo não existente no mangá, se não me engano na segunda temporada do drama). Sobre os jogos exclusivos do gibi, tem coisas excelentes acontecendo neles, realmente há grandes momentos imperdíveis ali. Não é só por que aproveitou um que não pode aproveitar o outro. Se eu fosse comparar, eu diria que o mangá é superior ao drama.

P.S.: O Fukunaga nos gibis é um personagem excelente, transformando numa coisa ridícula na versão pra TV. Em retrospecto odeio esse fato.

The Authority

Publicado: 10 de julho de 2012 em hq, Review
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The AuthorityThe Authority é uma indicação que eu faço agora. Um dos chamados widescreen comics. É uma HQ ou quadrinho, igual aos da DC Comics (Superman, Batman) e Marvel (Spiderman, X-Men), só que os authority são da WildStorm (que hoje é da DC). Eu não tenho muito o que falar por que já faz um tempo que eu li e tinha muitos detalhes contidos em cada enredo, portanto vou falar por alto.

O motivo dessa indicação é, primariamente, a maturidade das tramas. A sensação de que não há censura e eles mostram tudo que eles quiserem é fantástica. Segundo, a grandiosidade das mesmas. Eu nem vou falar muito pra não spoilear nada, por que o senso de maravilhamento é parte da experiência. Eu nunca vi tramas irem aos limites nos quais authority vai, com a menor facilidade.

E isso permite muita ação e uma ação muito criativa. Ainda mais ajudado pelo fato de que os heróis às vezes são quase vilões nessa história, os poderes delas sobem à cabeça às vezes.

E devo ressaltar que há também uma sensação de que os escritores se arriscam, eles levam os personagens além do comum nessas histórias, destroem o mundo e os tornam vilões sem se preocupar com nada além do bom enredo. Por isso eu recomendo muito The Authority. (mais…)

Revenge

Revenge é uma série do canal ABC que tem como tema central a vingança. A personagem principal, Amanda (bem interpretada pela Emily van-Camp), teve sua infância arruinada e seu pai destruído pelos segredos da família Grayson. Traído por aqueles em quem confiava (e pela mulher que ele amava) , anos depois da morte dele, Amanda assume a identidade de Emily Thorne e se muda para os Hamptos para destruir os Grayson e todos aqueles responsáveis pela ruína de seu pai.

Para isso, Emily/Amanda vai precisar ir longe. Talvez até longe demais.

O bacana é o jogo de muitas manipulações que acontece nessa série. Todos os personagens tem personalidade, a maioria deles pende mais para o lado maligno. A própria Emily às vezes se deixa dominar pelo seu ‘lado maligno’. O jogo começa fácil para Amanda, mas aos poucos as coisas vão se complicando cada vez mais, até chegar no ponto em que as coisas saem de controle.

A Amanda/Emily é muito esperta, e os que a cercam também não são burros. Entre seus alvos estão pessoas que não vão se deixar cair tão facilmente.

Revenge, além de personalidades bem montadas, apresenta uma trama bem amarrada. As reviravoltas e relações interpessoais na série são muito lógicas. E todos os personagens tem alguma função na trama, que é bastante focada. Falando e reviravoltas, elas não faltam. Mas são feitas de maneira que não perdem o impacto e a série não perde o foco perfeito que tem.

Eu mencionei os personagens rapidamente anteriormente. Mas eles merecem um parágrafo. A maioria é totalmente maquiavélica, mas até aqueles que podem ser considerados os maiores vilões tem um lado mais humano. É muito bacana isso. Além de que ninguém ali faz nada sem ter um objetivo em mente (mesmo que às vezes não pareça claro à primeira vista).

Enfim, com uma trama impactante e bem apresentada, Revenge é indicada a todos que gostam de uma boa história. Ah, vale eu mencionar que, mesmo que no começo pareça uma série de “vítima do dia”, numa variação de “monstro do dia” e “caso do dia”. Parece mais um procedural, parece que a Emily vai destruir a vida de uma pessoa por episódio. Mas logo logo evolui para bem mais do que isso. Revenge se torna rapidamente (no 5º episódio, precisamente) uma trama que se adensa a cada capítulo, sem nunca deixar de ser relevante para o plot principal de alguma maneira. Então prepare-se para ser surpreendido.

Update.

A segunda temporada trouxe uma queda de qualidade para a série, principalmente os últimos (quase sem impactos) episódios da série. Mas a terceira temporada veio com tudo, superando até mesmo a primeira. A quarta e última temporada também foi muito bacana. Apesar de ter ficado um pouco aquém do que poderia ter sido. Num contexto geral, é válido ver a série do começo até o fim.

Nikita

Publicado: 23 de junho de 2012 em Review, Séries
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Nikita é uma moça que, após ser presa, foi pêga por uma organização do governo chamada Division. Então sua morte foi forjada e ela passou a servir de assassina para essa unidade. Com o tempo, ela descobriu que a Division havia se tornado uma organização mercenária, não servindo mais aos desígnios do governo dos EUA. Então, ela própria saiu da organização e passou a tentar desmantelá-la. Com a ajuda de uma infiltrada na Division, ela agora está mais perto de conseguir o que deseja.

Para começar meu review, devo dizer o quanto Magie Q está magnânima no papel de Nikita. O que é chover no molhado, já que todo o elenco está muito bem, principalmente as mulheres, como Lindsy Fonseca e Melinda Clarke. E todos os personagens tem sua chance de brilhar em algum momento.

Outra coisa importante a ser considerada é que, mesmo sendo uma série do canal CW, que tem uma programação voltada para os jovens e as mulheres, Nikita apresenta muita qualidade. Muito mais do que se podia esperar. Aparentemente, a partir do mid-season da primeira temporada houve um requerimento para CW-izar a série, mas mesmo isso não a pasteurizou. Há muitas mortes, muita ação, cenas de luta fenomenais. A trama é ágil, com muitas viradas, mas todas as viradas são espetacularmente bem fundamentadas (pelo menos até agora).

Levemente baseada na série La Femme Nikita (que por sua vez era baseada no filme de Luc Besson), Nikita apresenta um mundo de espionagem muitas vezes mais realista do que a maioria dos filmes e séries mostra. Organizações terroristas, militares, governos  e empresas foram integrados à trama. Da mesma forma como na vida real se interlaçam política, economia e militarismo, a série também faz isso.

E que season finales fenomenais tiveram a primeira e a segunda temporada. Até os mid-season foram fenomenais! E nunca deixou de ter ação, misturando casos da semana com uma história que sempre está se movimentando e personagens que não param de ser trabalhados e aprofundados. O texto é primoroso. E imprevisível.

Eu, por exemplo, não sei bem o que esperar da terceira temporada, depois do fim da segunda. Fica um medinho de estragarem tudo, mas nunca decepcionaram, então provavelmente continuarão acertando, desde que não prolonguem a série mais do que deveriam.

Recomendo.

Update.

A terceira temporada começou mais fraca. Não ruim, de maneira nenhuma. Apenas aquém do que Nikita pode fazer. Mas logo começou a focar mais na mitologia de novo e esquentou, tendo um final foderoso.

E a quarta, mais curta e última temporada terminou Nikita com chave de ouro. Sim, Nikita foi perfeita, eu pelo menos não consigo ver nenhum erro nela. Consistentemente teve qualidade do início ao fim, não se deixou cair nem por um segundo.

game of thronesGame of Thrones é uma série de fantasia épica do canal a cabo americano HBO, baseada na série literária Crônicas de Gelo e Fogo, do escritor George R.R. Martin. O nome da série, Jogo dos Tronos, é homônimo do primeiro livro da série. Para assegurar a qualidade da série, que é baseada em uma das séries literárias de maior sucesso no mundo, o próprio escritor faz parte da equipe da série. Por isso, o clima épico da produção chega a se comparar à saga do Senhor dos Anéis de Tolkien (exceto pelo fator orçamento).

O George RR Martin criou um mundo complexo, gigântico, quase real de tantos detalhes. A decisão dele de criar A Song of Ice and Fire veio do desejo dele de criar um mundo muito grande. Isso por que ele escrevia para televisão, onde ele não poderia dar completa vazão ás suas idéias. Por isso, a tarefa de transformar livros enormes quanto esses em temporadas de 10 episódios é excruciante, e ainda mais considerando que o orçamento de uma série é muito menor do que o de um filme. Para isso, o próprio autor já escreveu alguns episódios (2×09-Blackwater, p.ex.).

Enquanto eu, decidi escrever esse review pela imensa qualidade da produção.

Primeiramente que, por estar na TV fechada, não há censura de conteúdo. A série apresenta muita violência, sexo e palavreado forte. Mas não é gratuito. Tudo tem um motivo, que é o de retratar esse mundo soberbo e seus personagens tridimensionais, dando o impacto necessário.

Essa falta de censura acaba sendo ainda mais importante, vide que, mesmo sendo uma série de fantasia, que se passa em um mundo diferente, há muito dos tempos medievais da nossa Terra nele. É uma espécie de versão paralela do nosso mundo medieval, com todas as cosas cruéis e viciosas que já fizeram parte da sociedade humana. O Jogo dos Poderes nessa terra de fantasia é, portanto, ambiciosamente realista. E isso dá um valor altíssimo à produção.

Mas o que mais pode ser dito a respeito da qualidade da série é a maneira em que o jogo pelos tronos funciona (principalmente na segunda temporada). Há muita traição, vingança e muitos conflitos acontecendo ao mesmo tempo, todos interligados. Mas não espere por muita ação, por que o orçamento não permite (mas quando a ação acontece, é soberba). Isso, entretanto, acaba não sendo necessário, já que há muitos outros conflitos mais interessantes acontecendo. Conflitos diplomáticos, políticos e familiares.

Os personagens também, vale mencionar, são todos muito bem feitos. Eles são realistas, até mais, são reais. Não há nada dos valores do nosso mundo neles, eles são personagens dessa terra criada por George Martin. São seres medievais. E tem várias camadas, várias faces, são completamente tridimensionais, de uma maneira poucas vezes vista. Você até pode odiar completamente algum deles (olá, Jofrey), mas não pode deixar de entendê-los, se você se aprofundar neles.

E a terceira temporada é baseada em apenas parte do 3º livro, já que este é muito maior que os outros que vieram antes. Essa divisão traz ainda mais qualidade para a obra.

Quanto aos livros, eu compreendo por que eles são escritos do jeito que são, mas não são pra mim. Há muitos detalhes, muita história e isso faz com que as coisas sejam mais lentas e eu sou muito imediatista, então não aguento lê-los.

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Publicado: 8 de março de 2012 em Review, Séries
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Lie to Me é uma série investigativa muito interessante, por que se utiliza de uma ciência real e bastante intrigante. Que é a habilidade de dizer se uma pessoa está mentindo. Não é de uma habilidade extra-sensorial que estamos falando, mas de ler as expressões faciais das pessoas, expressões corporais… coisas do tipo, para saber não apenas se ela está mentindo, mas o que ela pode estar sentindo no momento. Claro que, mesmo tendo como consultores pessoas que usam essas ciências na vida real, a série cai nas facilitações de séries como CSI, fazendo com que a ciência seja muito mais exata na ficção do que é na vida real, mas isso era impossível de ser evitado sem prejudicar o ritmo de um episódio de 40 minutos.

Mas o interessante na série não está só nisso. Felizmente, os criadores não decidiram que um diferencial bastava. Para completar temos o talento dos atores, todos muito bons e o fato das investigações serem o tipo de investigação incomum em séries policiais. A maioria dessas investigações não são sobre um assassinato e a maioria começa de uma maneira bem legal. Além do mais, para melhorar ainda mais a série, são usados exemplos de coisas da vida real, flashes de celebridades e personalidades históricas sendo pegos nos mesmos atos que os suspeitos da série. E dá até pra aprender alguma coisa dos métodos. Outra coisa interessante é a dinâmica entre os personagens, com Loker sendo um personagem que não mente, Foster tendo uma ligação muito forte com Cal Lightman (o protagonista) e Ria sendo uma ‘natural’, alguém que naturalmente desenvolveu a habilidade que Cal se treinou muito para conseguir. Outros motivos para a série ser ótima envolvem os motivos que levaram Cal por esse caminho e os métodos usados por ele, provocando as vítimas para conseguir reações e fazendo grandes esquemas surpreendentes, como no memorável “Blind”.

Infelizmente, a série começou muito bem, com um episódio piloto perfeito, mas se perdeu. Até o fim da primeira temporada ainda estava bem, embora o começo da primeira temporada tenha sido o melhor momento para LtM. Mas na segunda temporada diminuíram bastante o foco da ciência, aumentaram bastante a história e, embora tenha tido alguns efeitos interessantes, perdeu todos os fatores que fizeram com que eu me interessasse pela série.

Mas ainda assim, a primeira temporada de Lie to Me seria algo que eu indicaria a qualquer um, já que é entretenimento de alta qualidade.

damages season 3

Damages é uma das séries as quais eu sempre ouvi falar bem na internet, ao lado de Mad Men, Breaking Bad e The Sopranos, por exemplo. E Dexter, mas essa não é tão boa quanto dizem. Quer dizer, essas são as séries que o povo sempre fala que são perfeitas, bem no estilo cult, que não tem o apelo pop para competir com séries como House e CSI. E não tem muito apelo comigo, por que sinceramente, eu não entendo o jeito em que essas séries são feitas. Eu já vi pilotos de muitas séries, e o de Damages foi absolutamente inacreditável de bom. Eu já tinha gostado da premissa da série (ao contrário dessas outras séries hypadas), e meu hype estava alto, por causa dos reviews exaltando a trama da série. Ainda mais que eu procurava uma série que unisse qualidade e apelo ao meu gosto pessoal, e Damages acabou sendo ela. Ainda mais por que os reviews exaltavam o ponto que eu mais gosto em qualquer produção, que é a escrita, o plot.
Mesmo assim, me decepcionei muito com Damages. Por que depois do primeiro, e perfeito, episódio, nenhum outro capítulo foi tão bom. Por duas temporadas inteiras que eu tropegamente vi, eu estava esperando que ela me provasse por que as pessoas a consideravam tão boa. Apesar de eu ter amado o desfecho da segunda temporada, ainda assim… não era tão boa quanto diziam.
Possibilidades reacendidas por alguns reviews que consideravam a 3ª como a melhor temporada da série (enquanto outros ainda consideram a 1ª como a melhor). O fato é: esses reviews estão certos. A 3ª temporada de Damages é absolutamente perfeita.
A começar pelas atuações, que sempre foram fantásticas e continuam fantásticas. E depois tem a trama, em que tudo se encaixa ao final com perfeição, mesmo as coisas que pareciam terem sido jogadas ali de qualquer jeito num primeiro momento (Frobisher) se fecham, e de uma maneira que você pensará: “como eu não pensei nisso antes”? É um enorme e delicioso puzzle. E que encaixa personagens extremamente bem trabalhados e profundos e muitas emoções, já que nessa temporada Patty está destruindo uma família. Existem muitas reviravoltas no decorrer dos episódios, e todas elas são completamente plausíveis. E nunca vi o recurso de flashforward tão bem utilizado, dando dúvidas sobre como vamos chegar o resultado mostrado neles e tensão por que um personagem querido vai morrer.
A série chega ao cúmulo da perfeição amarrando pontas de outras temporadas e sendo a temporada mais pessoal de todas, nunca nos sentimos tão próximos de Patty, Ellen e Tom assim antes.
Enfim, eu precisava elogiar. Agora eu preciso ver a 4ª temporada e ver se eles conseguiram manter o nível e depois me preparar para a 5ª e última temporada.
Damages seria a série jurídica que eu indicaria para quem não gosta de séries jurídicas.

Update.

Eu comecei a ver a 4ª temporada. Estava aquém de Damages.

Eu pulei para a quinta temporada. A 4ª temporada não fez falta! O começo da 5ª estava MUITO bom, mas do meio até o final ela foi horrível e terminou Damages muito mal.