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Crítica Adiantada – Amor à Vida

Publicado: 31 de janeiro de 2014 em TV Brasileira
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imagesNesse blog eu tento só escrever das coisas que eu gosto. Mas abro aqui uma exceção para entrar na diversão que é falar mal de Amor à Vida. Infelizmente, meu texto não vai ser engraçado, como poderia. Há muitos textos engraçados por aí na net sobre a novela. O que eu procuro com esse texto é destacar os erros que a ficção pode ter e que podem ser evitados.

Amor à Vida tinha ideias e temas muito bons, porém muito mal executados. O texto, os diálogos, por exemplo, era tudo muito didático. Isso é subestimar a inteligência do telespectador. Todas as coisas eram repetidas várias e várias vezes durante o mesmo diálogo. Coisas que aconteceram a um episódio anterior eram relembradas com palavras E flashback. Sim, é tudo muito enfático, sempre com palavras E imagens. Isso é um mau uso da mídia. Se estamos vendo uma obra audiovisual, não podemos deixar isso passar em branco assim. Mostrar imagens do que você está contando com o texto em áudio é redundante. Redundância é cansativo. Do mesmo jeito que você ser obrigado a ver uma cena sempre repetida por vezes incontáveis. Fora que tudo é MUITO explicado. Claramente o autor escreve para pessoas idiotas, ou ele assim o crê.

Outro erro cometido aqui foi o fato de que os personagens não tinham personalidade. Pelo menos não tinham uma personalidade. O Ninho do começou ao fim da novela foi umas quatro pessoas diferentes. O Félix de uma hora pra outra se tornou uma pessoa completamente diferente. E esse não é o principal problema com os personagens. Tem um pior, muito pior, e gravíssimo.

O autor queria fazer alguns personagens serem inteligentes. Mas ao invés de fazer eles serem inteligentes, ele fez todos os personagens em volta deles serem idiotas completos pra esses personagens parecerem inteligentes. Assim, Paloma, César, Bruno, etc. se tornaram uns asnos para que Félix e Aline parecessem inteligentes. Mais do que isso, várias vezes isso também foi reiterado, com personagens falando que o Félix ou que a Aline é esperto. É o contar ao invés de mostrar. E em storytelling é sempre melhor mostrar do que contar. Ainda mais numa obra audiovisual. Principalmente por que os outros personagens foram “emburrados” pra se fingir que um é inteligente.

Também teve muitas situações ridículas. Coisas absurdas, inverossímeis, que não dá pra acreditar. Que abstraem do tom sério da novela. Fazem a novela se passar por ridículo.

Uma coisa em que muito se erra e é claro que nessa se errou também é núcleos secundários que se repetem de novo e de novo e de novo. Que são núcleos cíclicos, repetitivos. E que, além disso, ainda vão terminar do mesmo jeito que começaram. Valdirene, Michel, Perséfone foram personagens que saíam de um ciclo pra entrar em outro. “Zorra Total” total.

E teve tantos personagens que foram abandonados, inúteis, deixados pra lá e depois pêgos de novo, depois abandonados de novo, depois pêgos de novo. Sem sutileza nenhuma.

A falta de sutileza também esteve presente na maneira como a trama foi apresentada. Tudo muito brusco. Do nada coisas eram colocadas na trama, sem ser condizentes com o que foi apresentado antes. Os personagens começavam a dar pistas de algum mistério de uma hora pra outra, por exemplo.

E a enrolação? Tudo na novela era apresentado e demorava semanas e mais semanas pra se desenrolar. Não teve uma coisa, depois da primeira semana, que tenha se resolvido de maneira rápida. Tudo, absolutamente tudo, se esticou. E isso se agrava, quando tudo foi explicado e repetido, reiterado em todos os diálogos e flashbacks. Sério, todos os pontos novos apresentados na trama foram repetidos umas trinta vezes. Não teve nada que tenha sido dito e mostrado só uma vez.

E as mini-“tramas”? O autor colocou tanto merchandising social gratuito na trama, que foi do nada a lugar nenhum, e que foi resolvido bruscamente. Muita encheção de linguiça. Fora que os finais dos personagens mais “célebres” da novela também foi muito brusco e sem sutileza, com os personagens, sem motivo especial nenhum para isso, com uma desculpinha besta, tomando decisões que na novela inteira eles não tomaram. Muito irreal.

E as tramas ridículas? Patrícia, Michel, Guto e Silvia não tinham trama. Só serviam pra fazer sexo e atrair público através de ficarem pelados. Perséfone teve uma trama extensamente ofensiva aos gordos, e era pra ser exatamente o oposto disso. Na verdade, a novela inteira foi uma ofensa. Uma ofensa ao público e uma ofensa à qualidade.