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Black-Sails

Venho aqui hoje falar de uma série que tem me entretido muito e que me deixou extremamente surpreso com o fato de que não ouvi falar tanto sobre ela. E eu não entendo o por quê. Se ela tivesse tido o buzz que merecia, eu já tinha visto ela há muito mais tempo. Ela se parece bastante com Game of Thrones, apesar dos temas díspares e, em termos de qualidade, fica só um pouquinho atrás de GoT (mas ainda assim atrás). Aliás, falando em tema, não tenho nenhum interesse particular pelo tema piratas, não é do meu interesse. E, ainda assim, Black Sails me conquistou pela sua qualidade. Boa qualidade em uma história consegue deixar qualquer tema (muito) interessante. Talvez eu até me interesse mais pelo tema agora depois de ter visto BS.

A série é um prequel do livro A Ilha do Tesouro, clássico do escritor Robert Louis Stevenson. Na série, o capitão Flint e sua tripulação tentam saquear um galeão espanhol. Pelo menos, esse é o mote principal. É uma série sobre piratas, que mistura personagens fictícios e alguns personagens históricos, se passando na ilha de Nassau.

A produção da série é excelente, tanto em termos de valor de produção quanto de qualidade da mesma. A trama é altamente focada nos personagens, que se tornam mais e mais complexos e imprevisíveis no decorrer dos episódios, são certamente multifacetados. E os atores os interpretam muito bem, agregando emoção em todas as cenas. E um fator que eu adorei é que não há preparação, o primeiro episódio já mostra por que a série é tão boa. Ela já começa boa, e só vai melhorando.

Por falar na história que move esses personagens, é tudo tão interessante! Tem muita emoção, escolhas difíceis, traições, intriga e, muitas vezes, algo semelhante à intriga de corte presente em GoT. E eu sei que estou comparando com GoT mas é muito diferente. E o ritmo é muito mais ágil, acontece muita coisa em apenas um episódio, e sempre há vários detalhes interessantes.

Há cenas grandiosas de ação, luta e emoção, algumas dignas de cinema. O Starz está de parabéns por conseguir se equiparar visualmente à HBO. A trilha sonora também aumenta a tensão presente em vários momentos.

O único problema que tenho com a série é que às vezes a história se utiliza de algumas conveniências pra se forçar pra frente e colocar os personagens nas melhores posições em termo de conflito, e às vezes também é forçado o modo como as situações se resolvem pra poder mover em frente. Quer dizer, sempre há uma explicação, e sempre é uma boa explicação, o problema é que por mais racional que seja, há um lapso emocional que nos impede de ter a catarse que certos momentos deveriam proporcionar.

Não que não haja catarse, por que os personagens são do tipo ‘maior que a vida’, totalmente grandiosos e capazes de carregar a trama, tendo seus lados terríveis e cruéis e os lados bons também.

Por fim, não posso deixar de citar o quanto me deixa feliz a variedade de personagens presentes dos mais diferentes backgrounds. Eu gosto de, na ficção, ter personagens diferentes de mim, com pontos de vista diferentes e ângulos de visão diferentes. Esse é um dos motivos que me faz gostar tanto de GoT, lá tem anões, gays, deficientes, crianças, gordos, negros. As séries de TV se tornam muito mais interessantes com diferentes pontos de visão. Sense8 me atraiu muito por isso. Assim como How to Get Away with Murder com sua protagonista negra bissexual. Glee teria feito o mesmo por mim, se tivesse uma boa história, só a representatividade não basta. O mundo real é cheio de diferenças, e é muito válido ter essas diferenças também na ficção. Também adoro as mulheres fortes presentes em Black Sails.

É uma série que super indico. Afinal, é a série quintessencial sobre piratas.